Atentado

A arte como terrorismo


Destruir as casas com cimento e aço;
construir, com canhões de guerra, o espaço
e tudo transformar com pacifismo terrorista.
aprendiz de terrorista. Quando era criança, explodia formigueiros. Agora trata de explodir a realidade nos seus textos. Nas horas vagas, gosta de desconstruir as coisas. não fala sobre nada.
--------------------->Compre o meu livro de poemas<----------------

Quarta-feira, Abril 27, 2005

Se você dança com o Diabo - ÚLTIMO CAPÍTULO

São poucos os momentos em que consigo pensar com clareza.
Passo a maior parte do dia dopado. Babando como os outros internos. Só me deixam são durante as refeições, para que eu possa mastigar e engolir a comida, amarrado na minha cadeira de rodas.
Já não sei há quanto tempo estou aqui. Às vezes parecem dias, às vezes, anos.
São poucos, bem poucos, os momentos em que consigo raciocinar direito. Acho que já disse isso. Mesmo nesses poucos momentos, o ódio atrapalha muito. Eles me amarram e me dopam porque sabem que do contrário eu matava todos eles.
Já não sei bem quanto tempo faz que eu estou aqui. Foi o Rafael quem me traiu. Foi o Rafael quem me entregou para eles. De curiosidade morreu o gato, eles dizem.
Estou há muito tempo aqui. Não sei bem quanto. E foram raras as vezes em que pude refletir com lucidez. O ódio perturba muito. E não é a sacanagem que eles fizeram comigo. Não é estar aqui trancado como um animal raivoso. Não é a falta de esperança para o futuro. Não é aquele canalha traidor do Rafael. Não é nada disso o que me deixa realmente furioso...
Acho que vou ficar aqui para sempre. Talvez nunca mais eles me deixem pensar de verdade. Os remédios causam alucinações. Tenho pesadelos durante a noite.
Sonho com o Rafael. Ele está parado na minha frente. Faço força para esticar os meus braços. Quero apertar o seu pescoço. Mas os meus membros se atrofiam e eu não consigo mais alcançá-lo. Ele ri por muito tempo. Balança meu nariz e desaparece.
Acordo. E com os meus gritos acorda também o resto do hospício:
Rafael! Pelo amor de Deus, Rafael! Me conta o seu segredo! Rafael, seu nerdezinho filho de uma puta leprosa! Me conta! Por favor, me conta a porra do seu segredo!
Não sei se é ainda um resto de sonho, se é alucinação ou se é verdade. Mas, vindo de muito longe, de outra ala do sanatório, viajando pelos corredores, reverberando pelas paredes, tenho a impressão de ouvir o longínquo e eufórico eco de um inconfundível te enganei.

4 Comments:

Blogger LESHRAC said...

é... realmente ele foi enganado...

Muito bom o mega-conto Abilão... continue assim cara!

1:50 PM  
Blogger Abilio said...

Valeu, Lesh...
Acho que você foi o meu único true leitor. O Carlão também tava lendo, mas você foi o mais presente. =)

9:43 PM  
Blogger LESHRAC said...

Ja ta na hora de começar um conto novo :p

9:20 AM  
Blogger Chando, Lucas said...

cara, descobri isso aqui a pouco, não lembro ao certo como, li todo o conto, achei muito bom, MESMO.

publique ele quando tiver tempo.
abraços.

5:32 PM  

Postar um comentário

<< Home