Se você dança com o Diabo - Capítulo 27
O caderno!
O grito ecoou por toda a enfermaria.
Ah! Até que enfim você acordou. Nós temos mesmo muito que conversar. Acho que você me deve uma explicação...
Eu estava deitado numa cama. Uma gaze úmida sobre a minha testa. Uma agulha espetada no meu braço. Pendurado numa haste de metal, um saco plástico com um líquido transparente.
Sentado ao meu lado, o diretor me olhava com um sorriso paciente.
Arranquei a agulha da minha veia.
Que merda é essa!? Que merda é essa que vocês estão injetando em mim!?
Ele se levantou da cadeira e me dominou com a ajuda de um funcionário.
Calma! O que você pensa que está fazendo!? Arrancando o soro assim desse jeito!?
A enfermeira voltou a espetar a agulha.
Não adiantava. Não ia conseguir vencê-los pela força. Tentei relaxar.
Desculpa. Eu estava tendo um pesadelo. Acho que foi um delírio por causa da febre.
Os olhos dele me examinaram devagar.
Você estava muito exaltado dentro daquele quarto. Volto aqui para buscar minha carteira que tinha esquecido. Passo em frente à porta. Ouço gritos. Não sei como você conseguiu entrar. Não vi nenhum funcionário por perto. Abro a porta e me deparo com você tentando estrangular o interno. Espero que você tenha uma boa explicação para tudo isso.
Sim, senhor. Eu posso explicar tudo. O senhor vai entender. Mas, se o senhor não se importa, eu preferia conversar com o senhor a sós.
Mais uma vez os olhos dele me farejaram desconfiados. Sorriu. Disse ao funcionário e à enfermeira que saíssem. Que não se preocupassem. Eu não o ia morder. No caso de qualquer problema, ele chamaria.
Pronto. Estamos a sós. Pode falar agora.
Estou com frio. O senhor não faz a gentileza de me cobrir com a minha jaqueta? Aquela ali, no cabideiro.
Posso pedir para a enfermeira buscar um cobertor.
Não precisa. Quero explicar logo as coisas para o senhor. A jaqueta mesmo resolve.
Ele pegou o casaco e o estendeu sobre mim.
Tirei a arma de bolinhas do bolso em que tinha ficado. Saltei da cama sobre ele. Apertei com uma mão a sua garganta para que não gritasse. Com a outra pressionei o cano da arma contra a sua cabeça. O velho gemeu apavorado.
Cala a boca, filho da puta, que agora eu vou te explicar tudo direitinho. Tenho novidades para você, vovô. Eu já sei tudo. Sei tudo que vocês sabem. Sei ainda coisas que nem vocês sabem. A única coisa que eu ainda não sei, vocês também não sabem. Estão tão loucos para descobrir quanto eu mesmo. Por isso não vou perder meu tempo fazendo perguntas...
Mas do que é que você...
Não banque o babaca, vovô. Não vou cair de novo nas suas armadilhas. Entreguei quase tudo de bandeja para vocês enquanto vocês nos observavam por aquele espelho. Não vou cometer o mesmo erro de novo.
Mas...
Cala a boca! Cala a boca que para mim já não faz mais a menor diferença estourar essa sua cabecinha ou não. Você é um psiquiatra experiente, vovô. Analise meu caso. Sabe, eu nunca aprendi a lidar com as frustrações. Agora nós vamos dar uma voltinha. Se você não fizer exatamente tudo o que eu mandar, vou ficar muito, muito frustrado. Se você tentar avisar alguém ou pedir socorro de alguma forma, também vou ficar deprimido. Se qualquer coisa der errado. Qualquer coisa mesmo. Se na saída daqui a gente pegar muito farol vermelho, vou ficar decepcionado. Por isso, como um doutor esperto que você é, aposto que vai colaborar o máximo possível comigo, não é verdade, vovô?
Ele fez que sim com a cabeça.
Ótimo. Sempre achei você uma boa pessoa. Agora vamos andando. Lembre-se, minha arma vai estar aqui, no bolso da minha jaqueta, apontada para as suas costas. Você prefere morrer ou ficar paraplégico?
O grito ecoou por toda a enfermaria.
Ah! Até que enfim você acordou. Nós temos mesmo muito que conversar. Acho que você me deve uma explicação...
Eu estava deitado numa cama. Uma gaze úmida sobre a minha testa. Uma agulha espetada no meu braço. Pendurado numa haste de metal, um saco plástico com um líquido transparente.
Sentado ao meu lado, o diretor me olhava com um sorriso paciente.
Arranquei a agulha da minha veia.
Que merda é essa!? Que merda é essa que vocês estão injetando em mim!?
Ele se levantou da cadeira e me dominou com a ajuda de um funcionário.
Calma! O que você pensa que está fazendo!? Arrancando o soro assim desse jeito!?
A enfermeira voltou a espetar a agulha.
Não adiantava. Não ia conseguir vencê-los pela força. Tentei relaxar.
Desculpa. Eu estava tendo um pesadelo. Acho que foi um delírio por causa da febre.
Os olhos dele me examinaram devagar.
Você estava muito exaltado dentro daquele quarto. Volto aqui para buscar minha carteira que tinha esquecido. Passo em frente à porta. Ouço gritos. Não sei como você conseguiu entrar. Não vi nenhum funcionário por perto. Abro a porta e me deparo com você tentando estrangular o interno. Espero que você tenha uma boa explicação para tudo isso.
Sim, senhor. Eu posso explicar tudo. O senhor vai entender. Mas, se o senhor não se importa, eu preferia conversar com o senhor a sós.
Mais uma vez os olhos dele me farejaram desconfiados. Sorriu. Disse ao funcionário e à enfermeira que saíssem. Que não se preocupassem. Eu não o ia morder. No caso de qualquer problema, ele chamaria.
Pronto. Estamos a sós. Pode falar agora.
Estou com frio. O senhor não faz a gentileza de me cobrir com a minha jaqueta? Aquela ali, no cabideiro.
Posso pedir para a enfermeira buscar um cobertor.
Não precisa. Quero explicar logo as coisas para o senhor. A jaqueta mesmo resolve.
Ele pegou o casaco e o estendeu sobre mim.
Tirei a arma de bolinhas do bolso em que tinha ficado. Saltei da cama sobre ele. Apertei com uma mão a sua garganta para que não gritasse. Com a outra pressionei o cano da arma contra a sua cabeça. O velho gemeu apavorado.
Cala a boca, filho da puta, que agora eu vou te explicar tudo direitinho. Tenho novidades para você, vovô. Eu já sei tudo. Sei tudo que vocês sabem. Sei ainda coisas que nem vocês sabem. A única coisa que eu ainda não sei, vocês também não sabem. Estão tão loucos para descobrir quanto eu mesmo. Por isso não vou perder meu tempo fazendo perguntas...
Mas do que é que você...
Não banque o babaca, vovô. Não vou cair de novo nas suas armadilhas. Entreguei quase tudo de bandeja para vocês enquanto vocês nos observavam por aquele espelho. Não vou cometer o mesmo erro de novo.
Mas...
Cala a boca! Cala a boca que para mim já não faz mais a menor diferença estourar essa sua cabecinha ou não. Você é um psiquiatra experiente, vovô. Analise meu caso. Sabe, eu nunca aprendi a lidar com as frustrações. Agora nós vamos dar uma voltinha. Se você não fizer exatamente tudo o que eu mandar, vou ficar muito, muito frustrado. Se você tentar avisar alguém ou pedir socorro de alguma forma, também vou ficar deprimido. Se qualquer coisa der errado. Qualquer coisa mesmo. Se na saída daqui a gente pegar muito farol vermelho, vou ficar decepcionado. Por isso, como um doutor esperto que você é, aposto que vai colaborar o máximo possível comigo, não é verdade, vovô?
Ele fez que sim com a cabeça.
Ótimo. Sempre achei você uma boa pessoa. Agora vamos andando. Lembre-se, minha arma vai estar aqui, no bolso da minha jaqueta, apontada para as suas costas. Você prefere morrer ou ficar paraplégico?


3 Comments:
Comentario para vc não desanimar... AHUhAUhuA
Engraçadinho.
fiquei um tempo sem entrar...mas to lendo uns 4, 5 capitulos de uma vez....auhahuhuahuahuahuahuahuauhaahuahuahuahua
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