Se você dança com o Diabo - Capítulo 23
Nós temos pouco tempo, Rafael. Eu vou direto ao assunto. Fiquei sabendo de muita coisa desde a última vez que te visitei. Sei que você descobriu alguma coisa antes de vir para cá. Algum segredo. Alguma coisa importante. Que talvez estivesse relacionada com o atentado. Não sei que coisa é essa. Também não sei como foi que você descobriu. Mas sei que você queria ir para os Estados Unidos meses antes do atentado. Que você tem um sobrenome árabe. Que seu pai era um guerrilheiro durante a ditadura. Um guerrilheiro que odiava os Estados Unidos. Foi a sua tia que me contou. Mas ela nunca disse nada sobre que tipo de guerrilheiro era seu pai. Fácil pensar que era mais um com ideais socialistas lutando para libertar o país da ditadura. O período, o contexto apontariam para isso. Mas, talvez, ele não fosse nada disso. Talvez ele fosse alguém de origem árabe. Insatisfeito com o imperialismo americano. E se, por exemplo, supuséssemos que a família dele tivesse sido expulsa de suas terras por judeus em Israel? Que não tivesse tido alternativa além de emigrar? E se supuséssemos que seu pai tivesse se ligado a um grupo terrorista islâmico? Tudo muito improvável, Rafael. Tudo muito improvável. Mas quem acreditaria se predisséssemos o que aconteceu no World Trade Center?
Tive a impressão de que os olhos dele tinham se fixado em mim por um instante.
Tudo isso são só especulações, Rafael. Só especulações fúteis da minha cabeça. O que eu sei, do que eu tenho certeza é que você descobriu alguma coisa. Que estava sendo perseguido por causa disso. Que tinha gente atrás de você por causa desse segredo. Talvez tenham te torturado. Como aquele afegão na foto que eu te mostrei. Você estava com medo. Você precisava encontrar uma saída. Um jeito de se esconder. Um jeito de ser deixado em paz. Você estava desesperado. Talvez no dia do atentado suas informações passassem a valer mais. Eles viriam babando para cima de você. Que nem loucos. Quem nem loucos, Rafael. Foi então que você teve a idéia. “E se eu mesmo me fingisse de louco?”
Tive a impressão de que os olhos dele tinham se fixado em mim por um instante.
Tudo isso são só especulações, Rafael. Só especulações fúteis da minha cabeça. O que eu sei, do que eu tenho certeza é que você descobriu alguma coisa. Que estava sendo perseguido por causa disso. Que tinha gente atrás de você por causa desse segredo. Talvez tenham te torturado. Como aquele afegão na foto que eu te mostrei. Você estava com medo. Você precisava encontrar uma saída. Um jeito de se esconder. Um jeito de ser deixado em paz. Você estava desesperado. Talvez no dia do atentado suas informações passassem a valer mais. Eles viriam babando para cima de você. Que nem loucos. Quem nem loucos, Rafael. Foi então que você teve a idéia. “E se eu mesmo me fingisse de louco?”


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