Atentado

A arte como terrorismo


Destruir as casas com cimento e aço;
construir, com canhões de guerra, o espaço
e tudo transformar com pacifismo terrorista.
aprendiz de terrorista. Quando era criança, explodia formigueiros. Agora trata de explodir a realidade nos seus textos. Nas horas vagas, gosta de desconstruir as coisas. não fala sobre nada.
--------------------->Compre o meu livro de poemas<----------------

Quarta-feira, Março 23, 2005

Se você dança com o Diabo - Capítulo 18

Ouvi o estalo da arma e senti uma ardência no meio da testa. Uma bolinha azul de plástico duro ricocheteou ainda no vidro da janela e depois desapareceu embaixo do banco do motorista. Passei a mão, trêmula, pela cabeça. Fiquei olhando para a arma um instante sem entender. Demorou meio segundo. Parti para cima dele furioso. Com um ódio que eu nunca tinha sentido antes. O canalha ainda me acertou outro tiro, na bochecha.
Ai, ai! Filho da puta!
Durante cerca de dez minutos nós trocamos murros e safanões no banco de trás daquele carro. Em certa altura, consegui tomar a arma e descarreguei o que tinha sobrado do pente de bolinhas na cara dele. Depois voltei a bater. Já o tipo mais se defendia do que me atacava. Só parei de esmurrar quando acabou o fôlego. Quando o braço, cansado, já não obedecia mais.
Rolei para o lado. Guardei a arma dele num bolso da jaqueta. Fiquei ali. Os olhos fechados. O peito arfando. O suor escorrendo pelo corpo. Depois de um tempo olhei para o lado e vi que ele também ainda estava lá. Meio morto. O rosto inchado. Sangue escorrendo do nariz.
Os vidros do carro estavam todos embaçados. Quem o visse de fora, acharia que dentro estava um casal de namorados. Mas não passava ninguém pela rua. No silêncio do local, ouvíamos apenas nossas respirações ofegantes. De repente ele começou a rir.