Atentado

A arte como terrorismo


Destruir as casas com cimento e aço;
construir, com canhões de guerra, o espaço
e tudo transformar com pacifismo terrorista.
aprendiz de terrorista. Quando era criança, explodia formigueiros. Agora trata de explodir a realidade nos seus textos. Nas horas vagas, gosta de desconstruir as coisas. não fala sobre nada.
--------------------->Compre o meu livro de poemas<----------------

Terça-feira, Setembro 21, 2004

Granada de Mão

A explosão não explica a noite;
exprime a sombra e espreme o pânico
do peito fresco do combatente.

Provoca o vácuo prematuro
e a incerteza pós-moderna
no vôo negro de um fragmento.

Quinta-feira, Setembro 16, 2004

Baioneta

Passional, mas sem escândalos,
o silêncio decisivo da faca.

Quarta-feira, Setembro 15, 2004

Don Juan. Ato I, Cena I

– Sala da casa de J. A. –
– Leo está sentado num sofá, lendo um livro –




LEO

“Foda-se tudo
disse ela
e fodeu-se toda”



ISABELA

[gemidos]



LEO

[levanta-se, anda até a porta do quarto de J.A. e espia]



ISABELA

[gemidos]




LEO

E fodeu-se toda!



ISABELA

[gemidos]



LEO

E fodeu-se toda!

[volta para o centro da cena]

Sim, ela percebeu, ela intuiu
que os seus olhos tinham algo de estranho...

Mas uma sutil promessa de gozo
se desprendia do perfume dele,
para espalhar-se por sua pele
e subir-lhe aguda pelo pescoço.

Foda-se tudo,
disse ela,
e fodeu-se toda!



ISABELA

[gemidos]




LEO

E fodeu-se toda!



ISABELA

[gemidos]



LEO

E fodeu-se toda!

Sim, ela notou, ela descobriu
da falsidade, no olhar, o tamanho...

Porém uma potencial delícia
se insinuava no sorriso do moço.
No toque se adivinhava o esboço
do prazer máximo de uma carícia.

Foda-se tudo,
disse ela,
e fodeu-se toda!



ISABELA

[gemidos]




LEO

E fodeu-se toda!



ISABELA

[gemidos]



LEO

E fodeu-se toda!

Ela descobriu, ela distinguiu
algo de imoral, do rapaz, no assanho...

Mas uma volúpia irresistível
era sussurrada com seu silêncio
e, tomada por um desejo intenso,
sonhava com um prazer impossível.

Foda-se tudo,
disse ela,
e fodeu-se toda!



ISABELA

[gemidos]




LEO

E fodeu-se toda!



ISABELA

[gemidos]




LEO

E fodeu-se toda!

Foda-se tudo, fodeu-se toda!
Foda-se tudo, fodeu-se toda!
Tudo, toda!
Tudo, toda!
Tudo, tudo, tudo, tudo!
Toda, toda, toda, toda!

Foda-se tudo,
disse ela,
e fodeu-se toda!



ISABELA

[grito]

Domingo, Setembro 12, 2004

Reverborréia

Acabou. Agora só nos resta voltar à vida cotidiana após essas mini-férias que tivemos. Amanhã começa oficialmente o segundo semestre e a vida se vê forçada a entrar no molde, naquele molde que os dentistas fazem da arcada da gente, enfiando uma massa rosa e insípida na nossa boca e nos pedindo para, por favor, tentarmos não vomitar. Mais ou menos assim que eu me sinto agora, exagerando um pouco, claro.
Será que alguém ainda lê essa merda? Os contadores continuam anunciando algumas parcas presenças. Deve ser tudo por engano. Gente que entra no google e procura "Terrorismo"; "Bin Laden"; "Ácido Sulfúrico" etc... Devem ser todos colegiais zumbis buscabdo material cibernético para trabalhos medíocres encomendados por seus professores.
Não importa. O terror continua. Tem que continuar sempre. Eu resisto. Bonita essa palavra, resistência.
Por outro lado é muito panfletária. Não, corta o "eu resisto" e põe no lugar apenas um "eu ainda venço minha própria preguiça", fica mais sincero assim.
Se bem que eu também não sou um escritor romântico para valorizar a "sinceridade da arte". Então risca também o "eu ainda venço a minha prórpia preguiça".
Põe o que no lugar? Sei lá porra... põe o retrato da sua mãe pelada para ver se fica bom, e se não gostou, enfia logo no cu, também.
Baixou a pomba gira. Estou invocado, não sei com que. Sempre que sento para escrever sem assunto descambo na agressividade gratuita. Não me culpo. É divertido pelo menos. Era a mesma coisa quando eu fazia curtas com uns amigos. Quando estávamos sem idéias, filmávamos violência gratuita. É fútil, todos sabem, porém divertido, ninguém nega. É como disse o Tarantino, fingindo inocência, quando criticado pelo excesso de violência no Kill Bill, "ué, sempre pensei que o cinema americano fosse para mostrar as pessoas se bejando e se matando."
O blog continua. Ressurge das cinzas como a fênix. Ai que delícia! Esse é daqueles lugares-comuns tão batidos, mas tão batidos, que da até um arrepiozinho na espinha, ói... "ressurge da cinza como a fênix" uuuuuuuuuu... que nem halls preto, sai até lágrima do olho.
Pedimos desculpas pela temporada fora do ar. Tivemos algumas dificuldades técnicas e estivemos ocupados com outras coisas.
Trabalhei nuns filmes meus, assisti a muitos filmes bons, virei fã do Chaplin (ó originalidade...), escrevi um pouco, viajei, fiquei doente (muito doente), cantei Bee Gees no videokê, peguei umas incômidas, enfim... Coletei experiência nova para transformar em ficção depois.
Aliás, falando nisso, uma coisa bem legal que eu fiz nesse tempo foi trabalhar bastante na ópera que estou escrevendo com o Porco. Já temos todo o enredo em linhas gerais e eu já escrevi a primeira cena... Depois eu posto.
Acabou. Bem vindos de volta, meus caros pesquisadores de internet!

Quinta-feira, Setembro 02, 2004

Só pra avisar.

Estou sem computador. Por isso o sumiço. Em breve voltarei a postar as coisas que tenho escrito enquanto isso.