Atentado

A arte como terrorismo


Destruir as casas com cimento e aço;
construir, com canhões de guerra, o espaço
e tudo transformar com pacifismo terrorista.
aprendiz de terrorista. Quando era criança, explodia formigueiros. Agora trata de explodir a realidade nos seus textos. Nas horas vagas, gosta de desconstruir as coisas. não fala sobre nada.
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Quinta-feira, Agosto 19, 2004

Sozinho eu não dou conta: Porco

O Porco é minha amizade mais sólida e antiga. Nos conheçomos há quase vinte anos, no maternal. Naquela época brincávamos de Jaspion nos tanques de areia da escola.
Hoje o Porco é um daqueles amigos fundamentais, cuja existência é base para o nosso bem-estar. Ele ainda mora em Pinda, mas sempre damos um jeito de nos vermos. Vejo ele como meu irmão mais novo (ele é 13 dias mais novo do que eu). Sempre que acontece uma novidade em nossas vidas ficamos ansiosos para poder contar para o outro.
Seria besta tentar dizer quantos gostos, opiniões e pontos-de-vista eu e o Porco compartilhamos.
Juntos, fundamos o movimento Terrorista e o nosso maior sonho, no momento, é fazermos uma ópera.
Conversei com o Porco sobre música, internet, sentimentalismo e travesseiros. Confira aqui a entrevista!

Pensamento

Não, não nasci para formiga. Sou tão cigarra, mas tão cigarra, que chego quase a uma charuta.

Quarta-feira, Agosto 18, 2004

Soneto 228 (ano 1582) Luis de Góngora

Mientras por competir con tu cabello,
oro bruñido el sol relumbra en vano,
mientras con menos precio en medio el llano
mira tu blanca frente el lilio bello;

mientras a cada labio, por cogelo
siguen más ojos que al clavel temprano,
y mientras triunfa con desdén lozano
del luciente cristal tu gentil cuello;

goza cuello, cabello, labio y frente,
antes que lo que fue en tu edad dorada
oro, lilio, clavel, cristal luciente,

no sólo en plata o víola troncada
se vuelva, mas tu y ello juntamente
en tierra, en humo, en polvo, en sombra, en nada.

In-útil

O poeta
é o funcionário público
de um público
que não funciona.

Sábado, Agosto 14, 2004

Sugestão de leitura.

Recomendação literária da semana:

Pequenos Burgueses de Carlos de Oliveira.

Leitura deliciosa. Enredo atraente e divertido, estilo fascinante.

Alguns trechos para quem tiver vontade:

"D. Lúcia, D. lúcia, que te hei-de eu fazer? Não compreendes que no relento da cama uma mulher de certa idade, com as miudezas muito gastas, o fluxo menstrual a estiar, exala um odor enjoativo capaz de retrair o maior garanhão? Bem sei que te lavas, escarolas, perfumas, escovas os cabelos, mas isso é por fora e a velhice está lá dentro, onde não chegam os teus cremes nem os teus sabonetes."

"Tenho rezado muito. Ronda-me a tentação, nada de irreparável por enquanto, apenas o desejo de partir um frasco de perfume e cortar uma veia, mas cortá-la se estiveres perto e puderes ajudar-me. Livrar-me do meu próprio veneno. Dois ou três banhos por dia, esponja, pedra-pomes, água de colónia. Lavar e tornar a lavar. Para quê? A mulher acaba quando pára a sua forma natural de purificação."

"Nem sequer te pergunto o que sabes da minha alma. Não sabes nada. Do corpo, já te esqueceste. Massagens, escovas, horas e horas em frente do espelho. A alegria de supor que uma ruga desaparece, que um cabelo tingido é realmente preto. Sim, voltar atrás, livrar-me do meu sangue todos os meses como no passado. O rosário contra a tentaçãpo. Se abro o pulso e não chegas a tempo, é um suicídio, um pecado mortal. A minha alma em jogo"

"Pablo, estropias dos línguas, ya lo sabes. Desaprendeste una sem haber aprendido la otra. Inventaste tu língua personal e intransmisible. Muy bien. Ahora, ouve: se quisieras dar un murro em na mesa e outro neste vigarista que no tiene mas tiene espadas, que obscenidad escolherias para decir, dicer, dizer? No lo sabes, claro, porque no hay palabra bastante salgada para la emergência. E se houvesse, no la dirias porque es el hombre de piedra. Los hombres de piedra no hablan. Pelo menos em público. Bravo, una frase toda portuguesa. No desmanches tu serenidad. Hablarás quando llegar el momento."

Sexta-feira, Agosto 13, 2004

O filho de Odin.

Quando tudo fracassar, quando a última esperança desaparecer para sempre, quando você estiver sozinho e sem amigos, lembre-se: o deus do trovão está olhando você do alto de Valhala e esperando que você reaja, lute! Pois apenas os que morrerem em batalha (ou no Churrasco do Thor) entrarão no paraíso.

Quarta-feira, Agosto 11, 2004

Ubi sunt?

O papai-noel mora no polo norte; o lobo-mau, na floresta; a vovozinha, também. Os três porquinhos moravam cada um em sua casa, até que, depois do incidente com o referido lobo, passaram a residir todos com o irmão mais velho. A Branca-de-neve, vive num castelo, depois com os sete anões, depois no castelo de novo. Os marcianos residem em marte e os duendes, praticamente em todo lugar.
Estive pensando: onde diabos morarão as mulheres bonitas e inteligentes?

Segunda-feira, Agosto 09, 2004

Fragmento

Depois de ter lavado as mãos e o rosto com a água fria da torneira, ficou algum tempo se olhando no espelho, com a habitual expressão quase perdida de alguém que ou está pensando em algo muito profundo, ou não está pensando em nada.

Uma teoria literária quase-séria...

Relendo a Madame Bovary em francês, cheguei à conclusão de que os ficcionistas podem ser divididos em dois tipos principais: aqueles que amam seus personagens e aqueles que os odeiam.
Nos primeiros, o sentimento predominante é o da compaixão, do amor pelo humano; enquanto nos segundos sobressai o desprezo e o ódio pela mesquinhez da nossa condição.
Na obra dos que amam, mesmo nos momentos mais baixos, mais vis, é possível identificar compreensão e solidariedade; enquanto na dos que odeiam, mesmo nos momentos mais elevados e sublimes, é possível identificar sarcasmo e ironia.
Entre os primeiros, estariam escritores como Tolstoi, Kundera, Dostoieviski, Camilo Castelo Branco.
Entre os segundos, Flaubert, Machado, Quevedo.
Claro que, como toda tentativa de classificação, essa teria suas limitações quanto a casos mais complexos, como um Kafka por exemplo.
Há também as ocorrências de escritores que passam de um ao outro, como me parece ser o caso do Eça de Queirós, que odeia no começo e passa a amar, a partir d'Os Maias. Ou ainda, quem sabe, de um Cervantes, que, curiosamente, parece fazer um percurso semelhante no D. Quixote.
Enfim, uma idéia leviana e divertida que tive e não pude deixar de publicar aqui.
O que vocês acham?

Sexta-feira, Agosto 06, 2004

De volta.

Estou de volta. Gradualmente, as coisas retomam seus eixos costumeiros. A vocês que acompanharam minhas turcas aventuras por aqui, espero que se tenham divertido tanto quanto eu ao vivê-las e ao escrevê-las. O melhor de tudo é que, agora, para as pessoas que me perguntam como foi minha viagem, tenho tido o conforto de poder dizer "leia o meu blog."
Para os poucos que comentaram os posts durante a minha ausência e, dessa forma, diminuiram minhas saudades, o meu muito obrigado.
Queixo-me apenas do fato de que, perdidos em assombrosos enxames de vespas retóricas, discutindo desde as bases morais do cristianismo até as receitas de pudim de leite-moça, meus amigos comenteiros parecem ter se olvidado um pouco das minhas pobres tentativas literárias.
Falando nelas, estou de mãos vazias: não tenho nada pronto que valha a pena publicar aqui. Estou escrevendo um conto. Porém, pela primeira vez, estou escrevendo bem devagar. Em média umas três linhas por dia, de maneira que ainda vai demorar um pouco para ficar pronto, mas assim que estiver, publico-o aqui.
Também tenho mais três entrevistas em andamento para a sessão "Sozinho eu não dou conta", duas delas quase prontas, que devem ser publicadas em breve.
Enquanto nada disso está pronto, já que as polêmicas têm feito sucesso, divertamo-nos com elas enquanto seu lobo não vem.